A cara da doença
Essa é a cara da dermatomiosite. Tirei essas fotos para mandar a minha medica durante minha segunda crise. Essa foi marcada pelo envolvimento da pele, na primeira o "heliotropo", ou vermelhidão do olho, só apareceu na pálpebra direita. Apesar de ser o sintoma mais reconhecido pelos outros, é o que menos me impactou. Passava uma maquiagem e muitas pessoas achavam que era uma alergia ou dermatite. O pior sintoma é a fraqueza muscular, e esse não é visível, portanto muitas vezes incompreensível para as pessoas.
A fraqueza muscular é tanta que andar distancias curtas é um esforço. No auge da minha crise não conseguia tomar banho sozinha, era exaustivo. Não é uma dor, pois quando ficava imóvel não sentia nada, mas o simples movimento usado para pentear o cabelo me deixava exausta. A vontade que voce tem é de deitar e não se levantar por nada.
Uma vez estava em crise, já tomando corticoide, quando tive que viajar a trabalho. Não quis cancelar pois era uma viagem curta, nacional, e fui em frente. Acontece que quando cheguei na minha poltrona do avião simplesmente não conseguia levantar a maleta do meu computador e colocar no porta bagagem acima do meu lugar. Olhei em volta com cara de quem precisa de ajuda e nenhum homem se ofereceu para fazer por mim (cavalheirismo está morto! Rs.). Sou muito independente e meu ímpeto é sempre resolver as coisas sozinha, portanto foi muito humilhante ter que chamar a aeromoça. Ainda mais quando ela respondeu " se está tão pesada assim sua mala, você devia ter despachado". Isso porque é inconcebível que eu, uma jovem com aparência saudável, possa ter alguma doença incapacitante. Tive que falar que o motivo de eu não conseguir levantar a mala era médico e a aeromoça baixou a bola, no fim até se ofereceu a levar minha mala ao descer do avião.
Enfim, é muito chato se sentir tão mal e não parecer tão mal. Em geral, as pessoas pouco sensíveis não percebem o esforço que você faz para continuar sua vida normalmente, mesmo sendo um desafio levantar da cama. Tive sorte por ter um apoio grande da família e principalmente do meu noivo, agora marido, que na última crise foi quem lavava e secava meu cabelo...rs....a história do meu casamento inclusive é assunto para um outro post.

Parabéns pelo trabalho lindo do seu blog Lygia! Se tiver facebook, temos um grupo que acho que poderá acrescentar muito nele..
ResponderExcluirOi Renata! Poxa, faz tanto tempo que não atualizo que havia até me esquecido do blog. Quero fazer parte do grupo sim! Vou te procurar no face, qq coisa me chama lá: Lygia Martins Fuzaro.
ResponderExcluirOlá Lygia, tudo bem? Minha mãe foi diagnosticada a poucos meses com dermatomiosite. O médico indicou o corticóide mas ainda ela não começou a tomar, estamos com um pouco de medo da medicação e seus efeitos. As dores musculares iniciaram agora, mas ela ainda consegue fazer tudo sozinha; o pior é a vermelhidão por quase todo o corpo.
ResponderExcluirMas estamos na luta, obrigada pelo blog.
Abraços
Oi Bruna! O corticóide é um mal necessário. Todo medicamento tem efeitos adversos, mas só é indicado quando os benefícios superam os riscos. Caso o médico tenha receitado, é importante ela aderir ao tratamento para sentir-se melhor. Estou desatualizada nos meus posts, mas vou contar um pouco sobre minha trajetória de tratamento. Hoje estou com um medicamento biológico chamado Mabthera, e para meu caso, foi excelente. Um abraço e melhoras para sua mãe!
ExcluirOlá Lygia!
ExcluirEm agosto do ano passado (2015), minha mãe apresentou todos os sintomas que você descreveu e mais a pitose nos 2 olhos. Fizemos uma romaria em diversos especialistas (ortopedista, neurologista, oftalmologista, dermatologistas, infectologista etc etc) e ninguém fechava o diagnóstico. Ela fez tantos exames que dá até pra criar um arquivo médico. O neurologista nessa época teimou que era miastenia e assim tratou o problema. Tudo em vão! Por fim, em outubro do mesmo ano ela piorou a ponto de ter falência da musculatura pulmonar, de parar de respirar e de dar entrada na UTI em estado gravíssimo. Tudo porque demorou muito a se ter o diagnóstico certo. Lá ela ficou entubada, depois traqueostomizada, até março deste ano (2016). Uma boa alma (uma reumatologista) é que foi a nossa tábua de salvação. Detectou em janeiro a dermatomiosite e ministrou imunoglobulina endovenosa por 5 dias e assim minha mãe foi ressuscitando, ganhando lentamente forças para respirar, deglutir, falar, andar e seguir a vida. Depois da alta da UTI seguiu tratando com prednisona, muita fisioterapia e acompanhamento fonoaudiológico e cardiológico, pois o grande músculo (o coração) foi severamente afetado e hoje funciona à base de muitos medicamentos. Ela tem 67 anos, antes da doença parecia ter 50, caminhava, nadava, corria, tinha uma vida mega ativa. Agora, com aparência bem mais velha e com a musculatura toda comprometida faz tudo, tudo sozinha, porém com muito cuidado e sem muito esforço para não sobrecarregar o coração.
E quanto a mim, acabei estudando tudo sobre essa doença e posso afirmar que toda atenção e cuidado devem ser dispensados aos seus portadores, principalmente a vigilância quanto a qualquer alteração ou agravamento dos sintomas. Um grande abraço e tudo de bom sempre.
Nádia
Nadia, nos EUA a média de visita a médicos até o diagnóstico é 3-4 ! Realmente é uma doença rara com muito desconhecimento em outras especialidades. A principio, isso me motivou a criar o blog...Que bom que sua mãe eventualmente cruzou o caminho com um reumato. Há tratamentos inovadores que podem ajuda-la a ter uma vida normal. Eu estou em tratamento com rituximabe e já há 2 anos sem nenhuma crise - faço atividade normalmente. Um grande abraço para sua mãe!
ResponderExcluirBoa tarde Lygia.
ResponderExcluirGostaria de saber e posso utilizar sua foto em uma aula minha?
Sou médica e dou aula de clínica médica, farei uma apresentação para alunos de medicina. Poderia colocar como fonte: "arquivo pessoal cedido" - não preciso colocar seu nome. Posso editar e colocar somente a região dos olhos.
Não conhecia o seu blog e achei bastante informativo, com informações de como voce se sente, sendo interessante tanto para médicos quanto para pessoas que possivemente passam o mesmo que você todos os dias. Parabéns! e parabéns aos seus médicos também por estar com a doença sob controle!
Muito obrigada.
Flavia, quando escrevi o blog pensei em dividir a minha experiência com outros pacientes, mas fiquei muito feliz por vc ter encontrado e se inspirado tb com minha história. Quanto maior o awareness acredito que melhor o tratamento e diagnóstico da doença, demais! Pode usar sim a imagem, espero que ajude! Um abraço e obrigada pelo contato!
ResponderExcluirMuito obrigada!
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